Dezenas de cirurgiões juntam-se esta semana em Lisboa no maior congresso europeu de cirurgia robótica, que pode ser usada em quase todas as cirurgias abdominais e torácicas e permite uma mais fácil e rápida recuperação do doente.


Cirurgia ao cancro:  "Dificilmente nos próximos anos teremos robôs a operar sem controlo humano"
Tempos máximos de cirurgias em doentes prioritários ultrapassados mesmo sem greveTempos máximos de cirurgias em doentes prioritários ultrapassados mesmo sem greveEm declarações à Lusa, Kris Maes, que preside ao comité de organização local do congresso, explicou que a cirurgia robótica é uma evolução da cirurgia laparoscópica e permite maior precisão no trabalho do cirurgião e uma melhor recuperação do doente.

"Usamos acessos (buracos) para introduzir os instrumentos, como câmara e pinças, e o robô compensa os movimentos dos nossos braços. Consegue-se uma maior precisão", explica o especialista, lembrando que, ainda assim, "o robô não faz nada sozinho".

"É o cirurgião que dirige a cirurgia e o robô permite a um bom cirurgião fazer uma melhor cirurgia", afirmou o cirurgião, sublinhando: "Não é como um avião, em que se carrega num botão e já está".

O especialista, que é coordenador do Centro de Uro-oncologia e do Centro de Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva do Hospital da Luz Lisboa, destaca ainda a importância de a cirurgia robótica ser realizada por cirurgiões "com muita experiência".

A cirurgia robótica é usada nas cirurgias abdominais nas áreas da ginecologia, urologia e cirurgia geral, na área pulmonar ou cardiovascular, na cirurgia do reto e até na área da otorrinolaringologia.

No congresso, que decorre de 11 a 13 de setembro no Hospital da Luz Lisboa, além das sessões teóricas serão feitas 18 cirurgias robóticas na área da Urologia. Nesta especialidade, o robô é usado na cirurgia da próstata (área oncológica e não oncológica), cirurgia do rim (para retirada de nódulos ou para remover o órgão) e na cirurgia da bexiga.

"Usando a cirurgia robótica conseguem-se grandes benefícios para o doente", disse o cirurgião, exemplificando que, em geral, as vantagens para o doente incluem o facto de ter menos dor, menos hospitalização e menos risco de sangramento.

"Na cirurgia robótica, em comparação com a cirurgia convencional ou laparoscópica, conseguem-se melhores resultados. Por exemplo, na cirurgia da próstata temos menos risco de incontinência e de disfunção erétil, e na cirurgia do rim estamos mais capazes de conseguir fazer a preservação do rim, em vez de o tirar", explicou.

O Hospital da Luz Lisboa foi o primeiro em Portugal a possuir um robô cirúrgico, em junho de 2010, e já fez mais de 1.000 cirurgias robóticas, a maioria para tratamento de doenças oncológicas, nas áreas da urologia, mas também em cirurgia geral e torácica.

Em janeiro, foi anunciado o primeiro robô cirúrgico do Serviço Nacional de Saúde, a ser instalado no Hospital Curry Cabral, mas, segundo fonte do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC), o equipamento ainda não está em funcionamento.

Este robô foi doado pela Fundação Agá Khan e, de acordo com a administração do CHLC, terá custado entre três a quatro milhões e meio de euros.

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