O contributo da ilha Terceira e, em particular, da Praia da Vitória para a construção de um novo regime político em Portugal foi hoje destacado pelo Secretário Regional da Educação e Cultura, a propósito da batalha de 11 de agosto de 1829.

Avelino Meneses, que falava na cerimónia evocativa do 190.º aniversário da 'Batalha da Praia', defendeu que “as águas e as areias” desta cidade terceirense, que conquistou o título de Vitória, foram “a alavanca do triunfo da liberdade em Portugal”.

Esse “triunfo” traduziu-se depois, em termos políticos, no “esboço e na prática” da Democracia, que determina o governo da maioria “no respeito pela minoria, na criação e desenvolvimento do Estado de Direito que protege os homens dos abusos do poder”, frisou.

Avelino Meneses salientou que a batalha de 11 de agosto de 1829 provocou “o primeiro rombo na muralha do despotismo”, contribuindo para a abolição do antigo regime, “alicerçado na primazia da vontade do rei”, e para a implantação do Estado liberal, “estribado na preponderância da vontade do povo”.

Um ano antes da 'Batalha da Praia', recordou o Secretário Regional, o afrontamento ao absolutismo na ilha Terceira foi já encarnado pelo Comandante do Regimento de Caçadores 5, futuro Barão do Monte Brasil, e, a partir daí e por cerca de três anos, “o bastião terceirense constituiu o sustentáculo único da causa constitucional em todo o território português”.

“Com efeito, em vez de soçobrar face à pressão absolutista das demais ilhas, sobretudo de S. Miguel, onde se estabelecera provisoriamente a Capitania Geral, pelo contrário, a Terceira impõe a causa liberal que depois logra exportação para o reino”, destacou Avelino Meneses.

Na sua intervenção, recordou que, durante esse período de tempo, na urbe terceirense convertida em "cabeça” da monarquia constitucional se procedeu ao “ensaio” da nova administração do liberalismo, nomeadamente com a criação das juntas de paróquia, origem do atual poder local democrático.

Para a conversão da Terceira em “bastião do liberalismo”, acrescentou, contribuiu igualmente o desfecho de uma outra batalha que ocorreu também no concelho da Praia da Vitória, a do Pico Celeiro, que colocou frente a frente absolutistas e liberais, a 4 de outubro de 1828.

Avelino Meneses afirmou ainda nesta intervenção que a democracia em Portugal, após o início de 1820, logra confirmação em 1834, embora só “conquiste estabilidade” na segunda metade do século XIX.

Neste processo, particularmente entre 1828 e 1832, o arquipélago dos Açores, sobretudo a ilha Terceira, jogou “um papel determinante a troco de muitos sacrifícios” que a Nação não “varreu de todo”.

Na verdade, afirmou o Secretário Regional, as atuais cidades da ilha Terceira foram distinguidas em 1837, Angra com o título do 'Heroísmo' e a Praia com o título da 'Vitória', “precisamente desta vitória de 11 de agosto de 1829, que transformou os Açores, particularmente a ilha Terceira, na capital da liberdade em Portugal”.

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