Os empresários dos Açores querem que os deputados eleitos pela região se batam por um novo quadro comunitário da União Europeia que mantenha "pelo menos" os valores do atual para a região.

Mário Fortuna, da direção da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), declarou hoje à agência Lusa, na sequência da eleição dos novos deputados da região para a Assembleia da República no domingo, que esta é uma das prioridades face aos indicadores açorianos de “falta de competitividade e desenvolvimento” em termos comparativos com o contexto nacional.

Para o também economista, a pretexto da passagem nos Açores do furacão “Lorenzo” e dos danos provocados em infraestruturas, deve-se “olhar mais para este setor na região” através da concretização da recomendação dos deputados na legislatura anterior relativa à ampliação do aeroporto da Horta, bem como dando atenção ao novo terminal de granéis do porto de Ponta Delgada.

O representante quer que os deputados açorianos - três eleitos pelo PS e dois pelo PSD - se empenhem na revisão dos modelos de acessibilidade aérea e marítima aos Açores, sendo que no primeiro caso considera que “é importante salvaguardar o essencial do atual e não danificar, não se regredindo na qualidade e funcionalidade”.

Para Mário Fortuna, e sendo que esta é uma responsabilidade da Assembleia da República, “é preciso rever as obrigações de serviço público aéreo entre os Açores e o continente”, que no caso do Faial e Pico “estão a falhar”.

Para estas ilhas, indicou, é possível criar “outras soluções”.

No caso específico do transporte marítimo, declarou que se está a “estrangular a economia da região” e que é também desejável, no capítulo da formação superior, que a Universidade dos Açores seja dotada de mais meios para promover uma aproximação da região aos valores nacionais em termos de qualificação.

Isto tendo em conta, acrescentou, que os açorianos "têm dificuldades em deslocar-se para o sistema de ensino nacional no continente".

O vogal da CCIA defende também uma revisão do sistema eleitoral, uma vez que os Açores, na atual legislatura, não possuem um “único representante” no Parlamento Europeu.

No seu entender, é “importante salvaguardar que isso não aconteça no futuro”, através da criação de um círculo eleitoral próprio, a par da revisão do sistema eleitoral regional, face aos índices de abstenção verificados nos últimos atos.

Mário Fortuna pede ainda que os deputados eleitos se empenhem numa solução nacional para fazer face ao impacto que a situação financeira do grupo SATA está a ter nos orçamentos regionais.

O presidente da Federação de Pescas dos Açores, Gualberto Rita, considera, por seu turno, ser prioritária a “defesa intransigente” das quotas de pesca para os Açores por parte dos deputados eleitos pelo arquipélago.

O responsável referiu que os Açores têm sofrido cortes “bastante significativos” em espécies relevantes para o rendimento dos pescadores, sendo “inaceitável o que tem vindo a acontecer”.

“Esperamos que os deputados dos Açores sejam na Assembleia da República a voz que faça chegar esta preocupação ao Governo da República, porque, por vezes, não somos atendidos da forma como gostaríamos”, declarou.

 

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