A jornalista Teresa Canto Noronha revisita os Açores reunindo um conjunto de crónicas no livro “Notas da Ilha”, que traduz as memórias da sua vivência em São Miguel, terra natal, a par de experiências atuais.

A autora do livro, natural de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, disse à agência Lusa que o leitor que adquirir o livro vai ser for confrontado com um conjunto de crónicas que escreveu nos últimos dois anos e que “relatam os tempos da experiência passada na ilha".

Mas, também o “tempo atual que reflete” o que é, o que pensa e acredita como “consequência da forma” como foi educada e de todas as “experiências de vivências” de quem “teve o privilégio de nascer numa ilha no meio do oceano”.

Para a jornalista esta obra “é uma forma de regressar à ilha emocionalmente”, fazendo as “pazes com o passado”, como as mortes do pai e da avó, a par do facto de ter partido para o continente aos 18 anos e, durante “muitos anos, não ter estado na ilha”, sendo assim, esta, uma jornada “feliz de quem se reconcilia com o seu primeiro amor”.

Para além de haver a necessidade de fazer esta viagem interior, Teresa Canto Noronha refere que havia também o objetivo de “mostrar aos outros o quanto ser açoriano e ilhéu faz as pessoas diferentes”, havendo um denominador comum em todas as crónicas, que vão “desde a nostalgia para a ironia”, e vice-versa.

“Os açorianos têm uma forma muito irónica de olhar para as vicissitudes próprias de quem é de uma ilha, mas também somos muito nostálgicos”, afirma Teresa Canto Noronha, que admite que o mar e a paisagem moldaram a sua personalidade, sentido a necessidade de “estar perto da natureza e ter grandes extensões de água”.

"O livro, de certa forma, é uma forma de colocar em palavras o que tentei pôr nas obras que construi como artista plástica, nas esculturas que fiz e nalguns quadros que desenhei, ou seja, a insularidade”, explica.

Teresa Canto Noronha pretende também promover os Açores com este livro no contexto nacional porque os açorianos “têm muito para dar”, visando dar a conhecer uma realidade que “muitas vezes as pessoas não conhecem bem” para além da paisagem e dos seus produtos.

A arista estudou Engenharia Química no Instituto Superior Técnico de Lisboa, onde entrou em 1985, mas nunca terminou a licenciatura, tendo-se tornado jornalista em 1989.

Trabalhou na RTP e foi correspondente internacional em Bruxelas e em Roma, onde viveu entre 2000 e 2006, tendo regressado a Lisboa e integrado os quadros da redação da SIC, onde trabalha atualmente.

A par da carreira jornalística começou, em 2001, a trabalhar como artista plástica, tendo nos últimos anos participado em diversas exposições coletivas e individuais.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora Letras Lavadas, na seguinte ligação: https://www.letraslavadas.pt/loja/cronica/notas-da-ilha.