O confronto entre forças governamentais e o grupo de insurgentes está a provocar uma nova vaga de deslocados no distrito de Palma, na província moçambicana de Cabo Delegado.

Dezenas de pessoas deixaram a aldeia de Ntulene, onde foram registados violentos confrontos entre forças estatais e o grupo de insurgentes, na semana passada, refugiando-se em aldeias de reassentamento das multinacionais de gás e no seu perímetro de segurança.

“A aldeia já não é confiável (em segurança)” disse um deslocado, sustentando que a situação deteriorou com a intensificação, nos últimos meses, de ataques de insurgentes e confrontos entre o grupo e as forças governamentais.

No sábado, 10, quatro pessoas foram decapitadas nos campos agrícolas em Miangalewa, no distrito de Muidumbe, e outros três civis morreram carbonizados no distrito de Macomia, em ataques tidos como retaliação a uma baixa dos insurgentes durante confrontos com as forças governamentais.

Na madrugada de quarta-feira, 7, 15 insurgentes morreram em confrontos com as forças de defesa e segurança na aldeia de Ntuleni, no distrito de Palma, que provocou pânico em aldeias vizinhas de Monjane, Olumbi e Maganja.

“Temos confiança, aqui dentro da área de DUAT (zonas de reassentamento com Direito de Uso e Aproveitamento de Terra) esta forte com a segurança” disse um morador local, que acolheu três famílias deslocadas pelo conflito.

Desde a eclosão dos ataques de insurgentes, em Outubro de 2017, milhares de moradores de aldeias dos distritos do norte de Cabo Delegado, refugiaram-se também na vizinha Tanzânia.