Empreender na ciência e na investigação é uma das condições para se aumentar o número de doutorados que cresceu em quase todos os países da União Europeia. Entre 2013 e 2016, de acordo com os dados do Eurostat, em Portugal esse número subiu de 28.317 para os 33.423, em que 47.9% são mulheres.

A União Europeia, a OCDE e todos os Organismos Internacionais são unânimes em considerar que é essencial que haja mais mulheres nas STEM – Science, Technology, Engineering and Mathematics (i.e. na Ciência, na Tecnologia, na Engenharia e na Matemática).

Para isso, têm sido desenvolvidos, nas últimas décadas, vários programas que visam promover o empoderamento das mulheres nestas áreas científicas.

Em 1971, na reunião anual da Federação das Sociedades Americanas para Biologia Experimental, foi fundada a Association for Women in Science – AWIS, a Associação para Mulheres na Ciência.

A AWIS em muito tem contribuído para a difusão do trabalho das mulheres cientistas e para a consolidação do trabalho destas nas universidades e no mundo do trabalho. Mas, muito particularmente, tem sido relevante para a criação e sustentação de uma comunidade colaborativa.

Para além das diferentes sociedades científicas, a existência de prémios é, igualmente, determinante para celebrar o desenvolvimento das carreiras científicas.

As Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência 2019 são um excelente exemplo de promoção do género feminino na ciência.

O livro As Mulheres na Ciência promovido pelo Programa Ciência Viva, que já vai na sua segunda edição, pretendeu, em 2019, dar a conhecer os rostos das 109 mulheres, no seguimento das 137 escolhidas para a primeira edição, que foram fotografadas pelas objetivas de Augusto Brázio, Gonçalo F. Santos, Rita Carmo e Rodrigo Cabrita. Junta cientistas e investigadoras das mais variadas áreas que vão desde a Biologia à Matemática, da Química às Ciências Sociais, da Física à Arqueologia, das Neurociências à Geografia, da Engenharia à História e das Ciências do Espaço à Filosofia.

Cabe também aos empregadores empreender na ciência e na investigação e potenciar o emprego científico ao contratar mais doutorados, que em Portugal ainda apresentam números muito reduzidos e que seguramente iriam contribuir para o aumento do PIB e para a redução do desemprego qualificado.

Empreender na ciência e na investigação também começa nas escolas, junto dos nossos adolescentes e jovens, e tem sido notável o esforço a que temos assistido no âmbito da difusão da ciência e da investigação por parte de todos os membros das respetivas comunidades educativas.

Todos temos a ganhar com o aumento de ações empreendedoras no domínio da ciência e da investigação e o nexo de causalidade na geração de riqueza será certamente evidente, pelo que importa aumentar o esforço e o empenho de todos para que haja mais doutorados e mais emprego científico em Portugal!