As empresas industriais são as que mais investem em inovação

 São 66,4% as pequenas e médias empresas portuguesas e investir em inovação, contra os 49,5% na Europa. Apesar disso, o peso do investimento das PME nacionais em I&D é de, apenas, 0,2% do PIB A parcela de pequenas e médias empresas portuguesas envolvidas em processos de inovação, sejam eles ao nível do produto, do serviço ou em termos meramente organizativos, é de 66,4%, o valor mais elevado da Europa.

A média da União Europeia fica-se pelos 49,5% e a realidade é muito díspar entre os 28 Estados membros. Portugal, Finlândia, Luxemburgo, Alemanha e Áustria ocupam os lugares cimeiros da tabela, com mais de 60% das suas PME apostadas na inovação. Do lado oposto estão os países do Leste, como Letónia, Eslováquia, Hungria, Bulgária e Polónia, onde a percentagem de PME inovadoras varia entre os 29,2% e os 20,3%.

No fundo da tabela surge a Roménia, com apenas 9,8% pequenas e médias empresas a inovar. Os dados, que constam do Relatório Anual das PME, da responsabilidade da Comissão Europeia, mostram, ainda, que a proporção de PME inovadoras aumentou em países como a Áustria, Bélgica, Croácia, Estónia, Grécia, França, Hungria, Lituânia, Letónia, Portugal e Reino Unido, caindo nos restantes. “As divergências entre os Estados-Membros são parcialmente explicadas por diferentes tendências da indústria” em cada um deles, sublinha.

O presidente do IAPMEI, Nuno Mangas, reconhece que este é “um excelente desempenho” de Portugal e que está “alinhado” com os exemplos que se encontram no terreno, mas, também, com os resultados recentes do Regional Innovation Scoreboard de 2019, no qual a Região Norte ascendeu à 100º posição das regiões mais inovadora da Europa, entre as 238 avaliadas, passando de região ‘Inovadora Moderada+’ a ‘Inovadora Forte-‘.

Para Nuno Mangas, o acesso às medidas de estímulo e apoio à inovação, designadamente no âmbito do Portugal 2020, “que se apresentam em modelos flexíveis, orientados para apoio ao investimento inovador mas também para facilitar o acesso a diagnósticos e serviços de apoio qualificados (vales inovação, por exemplo)” têm ajudado a melhorar o desempenho das empresas portuguesas nesta matéria. Mas não só.

“Importa ter em consideração que as PME portuguesas sofreram uma forte pressão competitiva no período pós crise, o que, em muitos casos, conduziu estratégias mais inovadoras e diferenciadoras como forma de se afirmarem no mercado e de assegurarem a sua sustentabilidade”.

Portugal destaca-se, ainda, no seio da UE na percentagem de empresas que vendem os seus produtos online, bem como no peso do e-commerce nas vendas totais das PME. E até na percentagem de empresas que asseguram formação aos seus trabalhadores, que é de 75% versus os 72,6% da média da União Europeia.

 No entanto, a taxa de inovação total do país é de 21%, versus os 28,66% total da Europa. O relatório da Comissão considera que é necessário que o Estado implemente, ainda, mais medidas de apoio à participação das PME em processos de inovação. Mas não só. É que o próprio modelo económico do país, muito assente em setores de baixo valor acrescentado, não ajuda. E há, ainda, a ter em conta a questão da falta de escala. É que 95,4% das PME em Portugal são micro-empresas.

Não admira, por isso, que o emprego médio das PME em Portugal seja de 2,9 pessoas, 1 a menos do que a média das suas congéneres europeias.

A falta de escala acaba por ter efeitos a diversos níveis, da inovação à internacionalização, passando pelo financiamento e pela capacidade de acesso aos mercados e à contratação pública, entre outros.

E que ajudará a explicar, também, o facto do investimento total das pequenas e médias empresas no PIB nacional ser de, apenas, 0,2%. Nuno Mangas reconhece que a questão da dimensão é uma condicionante para as PME nacionais, mas garante que é uma área “a que está a ser dada particular atenção”, e dá o exemplo da linha de crédito ‘ADN 2018 – Sucessão Empresarial e Incremento de Escala’, lançada recentemente, uma solução de financiamento gerida pela Garantia Mútua e que pretende “aumentar a escala das empresas, favorecendo o seu posicionamento no mercado global, e facilitar o financiamento de processos de sucessão e de aquisição de empresas”.

FONTE: DINHEIRO VIVO