O coaching está em crescimento na Europa, sobretudo agora durante o período de crise global em que vivemos. E pode proporcionar oportunidades extremamente lucrativas a quem tem o know-how para dar passos na direção certa.

Estima-se que o valor do mercado de coaching para empresas em 2019 tenha sido de mais de 15 mil milhões de dólares, um aumento de 5,6% face ao ano anterior, de acordo com dados recentes da empresa americana de research IBISWorld. Mas há mais. O mercado global de e-learning, que abrange plataformas de coaching online e de formação digital, deve atingir um valor combinado de mais de 325 mil milhões de dólares em 2025.

Este setor em expansão contínua a proporcionar oportunidades extremamente lucrativas a quem tem o know-how para dar os passos certos. E é liderado por alguns países da Europa Ocidental, avança o Entrepreneur.

Porque está o coaching a crescer na Europa?
De acordo com o Global Coaching Study da ICF de 2016, a Europa Ocidental foi responsável por grande parte da quota do mercado de coaching. No total, cerca de 35% dos coaches profissionais operam na Europa Ocidental, em comparação com pouco mais de 33% na América do Norte. A Europa Oriental ocupa o terceiro lugar, com 8,4% do mercado global de coaching.

A enorme participação na Europa Ocidental deve-se à grande proporção de coaches de clientes patrocinados. Ou seja, um grande número de indivíduos recebe coaching como parte das suas funções no trabalho, na educação ou formação. No total, os coaches da Europa Ocidental relatam que cerca de 60% dos clientes são pagos por terceiros, número que desce para 50% na América do Norte.

Em 2020 o setor de coaching está maior do que nunca. Um número crescente de empresas recorre a profissionais especializados em várias disciplinas para ajudar a melhorar as suas operações e a avançar na direção certa – especialmente agora, durante um período de crise global. Já não são só os funcionários juniores e a gestão intermédia a beneficiar com o coaching, já que um grande número de empresas começou a investir em coaching executivo, ajudando a desenvolver equipas de liderança com mais foco e determinação, e melhor preparadas para atingir os objetivos.

Entretanto, o setor B2C tornou-se o mercado-chave para muitos coaches e consultores. Costumam especializar-se numa disciplina específica, como saúde, fortunas, negócios, espiritualidade, desenvolvimento pessoal, liderança, permitindo que empresas e profissionais contratem um coach para praticamente todos os aspetos da vida moderna.

Quando os coaches precisam de coaching
O setor está a tornar-se cada vez mais competitivo e é importante estar a par das tendências. Uma das formas de o fazer é contar com a ajuda de coaches especializados e com larga experiência, que podem ajudar a trabalhar o potencial latente. É usual estes coaches serem os mais aclamados na área e que partilham a sua experiência com quem quer fazer o mesmo.

Ao falar sobre a atual situação à Entrepreneur, o coach de negócios que opera, sobretudo, nos países de língua alemã e nos EUA, Javid Niazi-Hoffmana, acredita que o setor de coaching e de consultoria está a viver uma alteração de paradigma. A “digitalização conquistou uma tremenda parcela da vida dos negócios e, com ela, surgem inúmeras oportunidades para os consultores”, diz Javid Niazi-Hoffman, referindo que, “ao aproveitar os conceitos de aprendizagem digital e os procedimentos de vendas online, os consultores obtêm acesso a um mercado significativamente maior e são capazes de transmitir conhecimento com muito mais eficiência”.

Até o magnata e filantropo americano Bill Gates elogiou os benefícios dos coaches numa das suas recentes TED talks: “todos precisam de um coach. Todos nós precisamos de pessoas para nos dar feedback. É assim que melhoramos”.

Criar uma marca pessoal
O coaching chegou a quase todos os segmentos da nossa vida, no entanto, e embora o setor esteja a florescer, muitos parecem não ter capacidades básicas de administração de negócios, bem como conhecimentos de marketing e de vendas. Javid Niazi-Hoffman defende que os coaches devem sempre escolher formas morais e éticas de conquistar clientes, sem pressão e autênticas. Isto, acrescenta, é vital para construir um negócio de consultoria sustentável, pois há uma gestão das expetativas e leva a um relacionamento muito melhor com os clientes.

A marca pessoal e o posicionamento da marca são outros aspetos que costumam ser subestimados. De acordo com Caroline Castrillon, que escreve para a Forbes, a marca pessoal nunca foi tão importante como agora. Consequência dos motores de pesquisa e das redes sociais, a primeira impressão de uma pessoa baseia-se em dados online. Com a proliferação das redes sociais e da gig econmy (formas de trabalho temporário), tornou-se essencial que todos tenham em conta a marca pessoal, afirmou recentemente Caroline Castrillon na Forbes.

Por fim, ter uma oferta clara é essencial para garantir que as mensagens de um coach chegam ao público correto. Philip Crosby refere no seu livro “Reflections on Quality” que “selecionar a pessoa certa para o cargo certo é a maior parte do coaching”. Desta forma, tanto coaches como clientes devem estar cientes de que é crucial encontrar quem melhor os pode ajudar a crescer.